| Luciana's profileMeu espaçoPhotosBlogLists | Help |
|
May 25 Religiosidade e fé - Quando uma mata e outra restauraReligiosidade e fé
Isabelle Ludovico
Em palestra recente, Karl Kepler, presidente do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos, tratou deste tema, apontando a vida “pasteurizada” de muitos crentes que censuram certos comportamentos como dançar, beber..., mas camuflam os labirintos escuros do seu coração. Eles correm o risco de se tornar legalistas e hipócritas, como os fariseus que Jesus desmascarou. As igrejas constroem verdadeiros guetos separando “nós”: os salvos, e “eles”: o mundo. Esta teologia produz uma “miopia espiritual”, parecida com a do irmão do filho pródigo. O cristão se compara com assassinos e não se percebe mais como pecador porque não fala palavrões, nem extravasa a sua ira. Ele se identifica com uma fachada cada vez mais distante da realidade do seu coração. P {margin:0px;text-indent:30px;} O cristão é visto, freqüentemente, como uma pessoa artificial, falsa, reprimida, passiva e alienada de sua realidade social. A hierarquia, resquício do judaísmo, mantém as pessoas na infantilidade, dependendo de um pastor que lhes diga o que fazer. As pregações focalizam comportamentos que devem ser melhorados ou combatidos. Mensagens evangelísticas enfatizam: “Venha como é”, mas a tônica dos sermões é: “Deus quer algo mais de você”, transmitindo a imagem de um deus cobrador. Assim, as pessoas tendem a ser movidas pelo medo e construir uma relação manipulativa com um deus-patrão, trocando uma vida comportada por benção e proteção. A aprovação divina é medida através de sinais e do sucesso material. A ênfase na censura alimenta o medo de errar que gera conformismo e omissão em vez de encorajar as pessoas a serem ousadas e promoverem os valores do Reino. No entanto, ser cristão é conhecer a Verdade, que não é um dogma, mas uma pessoa. É passar do domínio do medo para o Reino do Amor, da condição de escravo para a de filho. O processo de crescimento diz respeito a uma intimidade cada vez maior com Deus que me encoraja a confiar no Seu amor. Quanto mais eu me sinto amada, mais ouso reconhecer quem sou, meus erros, minha verdade. E quanto mais enxergo a minha inadequação, mais percebo a profundidade do Seu amor. Posso admitir minhas dúvidas sem perder a fé, permitir-me ser amada sem merecê-lo, olhar para minha sombra sem desqualificar o meu lado luminoso por ter sido criada à Sua Imagem. A certeza do amor incondicional de Deus me motiva a ir ao encontro do outro porque fui amada e não para ser amada. Encarar a verdade sobre mim me poupa da tentação de me enxergar maior ou menor do que sou. Este discernimento me liberta de culpas provenientes de expectativas distorcidas. Percebo a importância de priorizar as transformações interiores que irão se manifestar numa vida coerente com a minha fé, em vez de manter uma dicotomia esquizofrênica. Sou chamada a equilibrar liberdade e santidade, pois cabe a cada um perceber os seus limites e escolher o que lhe convém. Sou desafiada a ser sal no mundo em vez de me refugiar num gueto. O Espírito me leva a rever, à luz da Palavra, os valores transmitidos pela tradição. Minha percepção de Deus vai se ampliando e integrando aspectos novos, como o seu lado materno que me acolhe e me consola. Os pastores se tornam irmãos na fé, mais experientes e maduros, que podem me edificar, mas também são passíveis de erros. O templo não é uma estrutura de pedras, mas o meu próprio coração onde sou convidada a adorar a Deus em espírito e em verdade. Dois ou três irmãos reunidos em nome do Pai já constituem uma igreja e o Reino de Deus é maior que a Igreja Evangélica. Ele está presente toda vez que Deus é reconhecido como rei e toda vez que o Amor triunfa. Isabelle Ludovico da Silva é psicóloga clínica, com especialização em Terapia Familiar Sistêmica.
E-mail: isabelle@ludovicosilva.com.br TrackbacksThe trackback URL for this entry is: http://lunauff.spaces.live.com/blog/cns!A994ECC823EC38F5!170.trak Weblogs that reference this entry
|
|
|